CORREÇÃO-ATUALIZA 1-IPCA-15 desacelera em agosto, mas em 12 meses tem maior patamar em 12 anos, a 9,57%

viernes 21 de agosto de 2015 11:36 GYT
 

(Corrige o título para agosto, em lugar de julho)
    SÃO PAULO, 21 Ago (Reuters) - A prévia da inflação oficial
brasileira desacelerou em agosto, diante da queda dos preços nos
Transportes, mas em 12 meses ampliou a força e foi acima de 9,5
por cento, maior patamar em quase 12 anos, mesmo diante da
economia em recessão e intenso aperto monetário feito pelo Banco
Central.
    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15)
subiu 0,43 por cento em agosto, contra avanço de 0,59 por cento
em julho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
    No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 registrou alta
de 9,57 por cento, acelerando em relação aos 9,25 por cento
acumulados em 12 meses até julho, e no maior patamar desde
dezembro de 2003 (9,86 por cento). Os resultados vieram em linha
com as expectativas em pesquisa da Reuters com analistas.
 
    Segundo o IBGE, o grupo Transportes foi o grande responsável
pela desaceleração mensal, com queda nos preços de 0,46 por
cento, com destaque para as passagens aéreas (-25,06 por cento).
    O grupo Alimentação e bebidas também ajudou, com a alta dos
preços desacelerando a 0,45 por cento neste mês, contra 0,64 por
cento em julho. Mesmo assim, foi o segundo maior impacto do
IPCA-15, de 0,11 ponto percentual.
    Os preços das tarifas de energia elétrica continuaram
pesando no bolso, com alta de 2,60 por cento, levando o grupo
Habitação a ter o maior impacto no índice, com 0,16 ponto
percentual.
    O BC vem sinalizando que não pretende voltar a aumentar a
taxa básica de juros, atualmente em 14,25 por cento, porque
considera que a convergência da inflação para o centro da meta
em 2016 tem se fortalecido e os riscos desse cenário são
"condizentes com efeitos acumulados e defasados da política
monetária". A meta é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de
dois pontos percentuais para mais ou menos.  
    O atual ciclo de aperto monetário começou em outubro passado
e elevou a Selic em 3,25 ponto percentual, levando-a ao maior
patamar em nove anos.
    O próprio presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou que a
inflação vai atingir o seu pico neste trimestre e permanecerá
elevada até o fim do ano, "para depois iniciar trajetória de
queda". 
    A pesquisa Focus do BC, que ouve semanalmente uma centena de
economistas, aponta que o IPCA deve fechar 2015 a 9,32 por cento
--estourando a meta de inflação deste ano-- e recuar a 5,44 por
cento em 2016. O levantamento mostra que o Produto Interno Bruto
(PIB) deve encolher 2,01 por cento neste ano e 0,15 por cento no
próximo.    
    Veja abaixo a variação dos grupos na comparação entre 
julho e agosto:     
Grupo                      Julho      Agosto   Impacto
                            (%)        (%)      (p.p.)
Alimentação e Bebidas      +0,64      +0,45     0,11
Habitação                  +1,15      +1,02     0,16
Artigos de Residência      +0,47      +0,73     0,03
Vestuário                  -0,06      +0,01     0,00
Transportes                +0,14      -0,46    -0,08
Saúde e Cuidados Pessoais  +0,80      +0,83     0,09
Despesas Pessoais          +0,83      +0,73     0,08
Educação                   +0,10      +0,78     0,04
Comunicação                +0,59      +0,11     0,00
Índice Geral               +0,59      +0,43     0,43

 (Por Patrícia Duarte; Edição de Alexandre Caverni)