BES afunda 10 pct para perto preço aumento capital, incerteza pesa

lunes 30 de junio de 2014 06:57 GYT
 

LISBOA, 30 Jun (Reuters) - Os títulos do Banco Espírito Santo (BES) prolongaram a queda a pique de sexta-feira passada, afundando 9,7 pct, penalizados pela incerteza em torno do 'governance' do banco e receios reputacionais de uma investigação sobre as 'holdings' superiores no Luxemburgo, segundo operadores.

As acções do BES tocaram o mínimo desde Agosto de 2013 nos 0,651 euros, aproximando-se dos 0,65 euros de preço de subscrição do recente aumento de capital, estando a descer 8,9 pct para 0,657 euros com 36 milhões de papéis negociados. O BES fechou a perder 11,43 pct na sessão anterior.

Hoje, o Diário Económico referiu que o Banco Central Europeu (BCE) "está preocupado com a incerteza à volta do processo de sucessão de Ricardo Salgado na liderança do BES" e terá pedido ao Governo e ao Banco de Portugal "uma clarificação rápida quanto ao reconhecimento da idneidade dos nomes propostos para a futura gestão do BES".

Na sexta-feira, fonte oficial das autoridades de justiça do Luxemburgo, disse à Reuters que foi aberta uma investigação a três holdings do Grupo Espírito Santo.

"Essa notícia, surgiu ainda com o mercado a funcionar, a existência de uma investigação não ajuda, obviamente", disse Albino Oliveira, analista da Fincor em Lisboa.

A Portugal Telecom, que tem como maior accionista o BES, confirmou também no final da semana passada que investiu 900 milhões de euros (ME) em papel comercial da RioForte, do Grupo Espírito Santo (GES), antes da fusão da PT com a brasileira Oi, algo que poderá acarretar riscos reputacionais, segundo o BPI.

A seguir ao BES, os títulos da PT são os que mais pressionam o índice 'benchmark' PSI20, recuando 4 pct para 2,62 euros.

"Há incerteza sobre a situação financeira por cima do BES e sobre qual poderá ser o impacto para o banco, o que não ajuda", vincou Albino Oliveira.

Acrescentou que, "contudo, a questão fulcral quanto ao BES é qual será o 'governance' final do banco, se o CEO novo vai ser aprovado e se a nova comissao estratégica avança ou não".   Continuación...