BES afunda 11 pct com 'fuga de risco' banca periferia, incerteza GES

martes 8 de julio de 2014 11:09 GYT
 

LISBOA, 8 Jul (Reuters) - Os títulos do Banco Espírito Santo e do Espírito Santo Financial Group (ESFG) afundaram 11 pct, num contexto de forte pressão sobre a banca da periferia, que está a ser fustigada por um movimento de fuga ao risco, ao que acresce a 'nuvem de incerteza' que ainda paira em torno do Grupo Espírito Santo (GES).

"O efeito positivo da nomeação de Vitor Bento acabou por se esfumar, o contexto geral para a banca da periferia é hoje bastante negativo", disse Albino Oliveira, analista da Fincor em Lisboa.

As acções do BES tocaram um mínimo 'intraday' nos 0,635 euros e as do ESFG nos 1,43 euros.

"Apesar do optimismo em torno desta solução (de Vitor Bento para CEO), sempre que há alteração de CEO há expectativa sobre o que vai acontecer e, num momento de forte fuga de risco, o BES é mais penalizado porque está, neste momento, envolto em maior incerteza do que os pares", afirmou Albino Oliveira.

O maior banco português em activos tem estado sob os holofotes dos investidores após a detecção de irregularidades em 'holdings' superiores do Grupo Espírito Santo (GES).

"Basta olhar para as yields soberanas para ver que este movimento de hoje é uma clássica fuga ao risco", disse Albino Oliveira. Os 'yields' soberanos estão a agravar-se nos países da periferia, enquando os do 'core' do euro - Alemanha e França - contraem.

"O sector financeiro é sempre o primeiro a sentir a reacção ao risco, quando o mercado está confortável é o que mais recupera e quando a aversão é maior, o primeiro a sofrer", referiu o analista da Fincor.

No Sábado, a ESFG, que agrega os cinco ramos da família e que tem 25 pct do Banco Espírito Santo (BES), alterou a sua anterior proposta e propôs Vitor Bento para Chief Executive Officer (CEO) do banco.

O parceiro francês Credit Agricole, que é o segundo maior accionista com quase 15 pct, já disse que votará a favor na AG de 31 de Julho.

O Banco de Portugal (BP), que é crucial para por a 'chancela' da idoneidade nos membros do 'board', também já se apressou a realçar que designação dos novos titulares "atende à preocupação do BP de que os órgãos de administração e fiscalização das instituições de crédito sejam independentes".

(Por Daniel Alvarenga; Editado por Sérgio Gonçalves)