BES afunda mais de 12 pct com dificuldades holdings Espirito Santo

jueves 10 de julio de 2014 05:45 GYT
 

LISBOA, 10 Jul (Reuters) - Os títulos do Banco Espírito Santo afundam mais de 12 pct, após o seu maior accionista, a Espírito Santo Financial Group, ter anunciado a suspensão das suas acções, adensando os receios quanto às dificuldades das 'holdings' da família, segundo dealers e analistas.

João Lampreia, analista do Banco Big, disse que "o BES, como também tem exposição à dívida das holdings superiores e, como a probabilidade de uma reestruturação com troca de dívida por capital é cada vez maior, tem impacto directo no BES, que está exposto à volta de 1.000 milhões de euros (ME) à dívida das holdings, e tem uma exposição indirecta a institucionais e retalho de cerca de 2.500 ME."

"Estamos a falar de uma exposição directa e indirecta de 3.500 ME, ou seja é o market cap do BES. As obrigações do ESFG estão a valor 12 pct do par, quando há tês semanas estavam em 100 pct. É brutal", vincou.

Os títulos caíram para um mínimo 'intraday' de 0,528 euros, tendo perdido mais de metade do seu valor no espaço de um mês.

Segundo Nicholas Spiro, director da Spiro Sovereign Strategy em Londres, o caso expõe as fragilidades do sector financeiros português e da sua economia.

"É um 'reality check' para o sector financeiro português, uma indicação clara que há muitas questões preocupantes a acontecer debaixo do capuz", afirmou.

Nicholas Spiro, afirmou que "o caso Espírito Santo tem estado a borbulhar há algum tempo, mas agora explodiu claramente e este é obviamente um desenvolvimento preocupante para um país que acabou de sair de um programa de resgate".

A ESFG suspendeu a negociação das suas acções e obrigações para avaliar o impacto financeiro da sua exposição à Espírito Santo International (ESI), uma holding da família que atravessa dificuldades.

"A ESFG está actualmente a avaliar o impacto financeiro da sua exposição à ESI", referiu num curto comunicado, sem dar mais pormenores.

Nicholas Spiro sublinhou que o mercado está a levar o escalar do problema muito a sério.

"O país precisa tanto disto como de um buraco na cabeça", disse, acrescentando: "se, durante as trevas da crise soberana, até mesmo no ano passado, isto se tivesse passado, o céu ter-se-ia abatido". (Por Daniel Alvarenga e Sérgio Gonçalves; Editado por Filipa Cunha Lima)