13 de julio de 2014 / 11:19 / hace 3 años

BES tem substituir rápido equipa gestão para reforçar confiança-Ricciardi

5 MIN. DE LECTURA

Por Sergio Goncalves

LISBOA, 13 Jul (Reuters) - O Banco Espírito Santo (BES) tem de substituir, o mais rapidamente possível, a actual Comissão Executiva pela nova equipa independente liderada pelo economista Vitor Bento para reforçar a confiança no maior banco privado português, disse José Maria Ricciardi, presidente do BES Investimento (BESI).

O BES está sob os holofotes dos investidores e reguladores após a detecção de graves irregularidades numa das 'holdings' superiores, a Espírito Santo International (ESI), tendo levado a família Espírito Santo a propôr um novo 'management', que não terá nenhum familiar seu, por imposição do Banco de Portugal.

No entanto, a Assembleia Geral (AG) extraordinária de accionistas vai reunir-se apenas a 31 de Julho para escolher o novo 'board', o que José Maria Ricciardi considera ser tarde.

"Considero indispensável para reforçar a confiança dos clientes, colaboradores e público em geral que a Comissão Executiva do BES seja, o mais breve possível, substituída pela nova equipa que mereceu o acordo dos accionistas e do Banco de Portugal (BP)", referiu Ricciardi, numa declaração enviada por email.

Adiantou que, para facilitar essa substituição, o pedido de demissão do BES que apresentou antes "deverá ter efeitos imediatos", não se mantendo o seu mandato até 30 de Julho.

"Estas decisões inserem-se no conjunto de tomadas de posição que tenho assumido desde há mais de um ano, e de práticas que venho denunciando quer no quadro interno, quer perante as entidades reguladoras com o objectivo de alterar a governance do banco (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES)", frisou.

Adiantou que o seu pedido de demissão do BES visou "facilitar a missão do BP em encontrar uma solução alternativa global que permitisse encarar o futuro da instituição com confiança e optimismo", recordando que simultaneamente lhe foi reconhecida a idoneidade como gestor bancário e presidente executivo do BESI.

José Maria Ricciardi tem-se insurgido contra a liderança do seu primo Ricardo Espírito Santo Salgado, o líder histórico que está demissionário do cargo de CEO do BES.

A Espírito Santo Financial Group (ESFG) - holding que agrega os cinco ramos da família Espírito Santo e é o maior accionista do BES - propôs, a 5 de Julho, Vitor Bento para Chief Executive Officer (CEO) e o actual presidente do IGCP João Moreira Rato para Chief Financial Officer (CFO).

A 11 de Julho, a ESFG acrescentou o nome do ex-CEO da Portucel José Honório à sua proposta para o novo 'management' independente, que não terá nenhum gestor da família.

O Banco de Portugal apressou-se a realçar que as nomeações atendem à sua preocupação de que os órgãos de administração e fiscalização sejam independentes e "pautem a sua atuação por critérios de gestão sã e prudente, tendo em vista acautelar, em particular, a segurança dos fundos confiados às instituições".

As propostas deverão ser aprovadas na AG pois, para além dos votos favoráveis da ESFG, que controla 25 pct do capital, terão o apoio do parceiro francês Credit Agricole que tem quase 15 pct.

Ricciardi afirmou que recentes notícias dão conta da criação de um Conselho Estratégico em que figura o seu nome, mas entende "que quem não tem idoneidade para figurar nos órgãos sociais não pode, nem deve integrar o Conselho Estratégico".

"Nestas condições, caso tal Conselho venha a ser criado, quaisquer que sejam as suas competências, só aceitarei fazer parte dele se porventura a todos os outros membros que o integram for reconhecida a aludida idoneidade", referiu.

A 11 de Julho, o BES referiu que acredita que um eventual 'default' de dívida emitida por entidades do Grupo Espírito Santo (GES) não ameaça o cumprimento dos rácios de capital exigidos, dado que tem um 'buffer' de 2.100 milhões de euros (ME) acima do mínimo regulamentar.

As acções do BES têm estado sob forte pressão, na sequência daquelas irregularidades na ESI, que tem uma "situação patrimonial fortemente negativa" de acordo com a Espírito Santo Financial Group (ESFG).

O BES reconheceu "riscos reputacionais" se se deteriorasse a posição financeira da ESI - uma das 'holdings' da família Espírito Santo, que no passado controlou indirectamente o banco com uma complicada cascata de 'holdings'.

Em causa estava o reembolso de dívida da ESI, incluindo papel comercial, que foi vendida a clientes do banco, tendo a ESFG referido que uma segunda auditoria à ESI detectou "irregularidades materialmente relevantes".

Por Sérgio Gonçalves; Editado por Axel Bugge

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below