20 de octubre de 2014 / 14:03 / hace 3 años

FOCO-Portugal Telecom afunda 29 pct para mínimo histórico, pressão dívida Rioforte

(Acrescenta BPI, detalhes)

LISBOA, 20 Out (Reuters) - As acções da Portugal Telecom afundaram 29 pct para novos mínimos de sempre, pressionadas pela maior probabilidade de não recuperar os 900 milhões de euros (ME) de dívida comprada à Rioforte, dado que esta entrou em liquidação de activos sem ter protecção contra credores, segundo analistas.

Na sexta-feira passada, o Tribunal de Comércio do Luxemburgo negou a protecção contra credores pedida por duas ‘holdings’ insolventes da família Espírito Santo, a Rioforte e Espírito Santo Internacional, que avançam agora para um processo de liquidação de activos.

Isto, deverá tornar ainda mais difícil a recuperação da totalidade da dívida comprada pela PT à Rioforte.

“Esta decisão evidencia a situação delicada da Rioforte e, na nossa perspectiva, reduz a expectativa para a taxa de recuperação”, afirmou Pedro Oliveira, analista do BPI.

“Por outro lado, é provável que acelere o processo e permita uma avaliação no horizonte mais consistente com o mercado de capitais e que traga interesse adicional de ‘distressed funds’”, acrescentou.

Segundo a Berenberg, com os activos portugueses agora detidos pela Oi, o valor da PT SGPS “é muito incerto”, pois esta detém apenas uma participação de 25,6 pct na Oi e aquela dívida da Rioforte, a quem o Tribunal do Comércio do Luxemburgo negou a protecção contra credores e está em liquidação de património.

“Evitem a PT, é melhor deter acções da OI directamente”, afirmaram os analistas da Berenberg, referindo que as acções da PT “permanecem uma perspectiva incerta”.

“Ainda achamos que os investidores à procura de exposição a esta situação ficam melhor se detiverem directamente a Oi, do que as mais alavancadas acções da PT”, afirmou a Berenberg.

Na sexta-feira, a PT já tinha fechado a perder 9 pct, após a a Morgan Stanley ter reiniciado a cobertura da PT, atribuindo um preço alvo de 0,79 euros.

“A PT continua objectivamente pressionada pela nota de ‘research’ da Morgan Stanley que aponta o preço alvo para os 79 cêntimos. Temos assistido a um progressivo desmoronar”, disse Gualter Pacheco, dealer da GoBulling no Porto.

Após o novo mínimo de sempre nos 0,865 euros, a PT segue a recuar 15 pct para 1,04 euros.

SEGUE TRILHO OI

Albino Oliveira, analista da Fincor, referiu que “a PT é neste momento um veículo sobre a Oi, e a Oi continua a cair”.

A cotada PT SGPS não tem directamente quaisquer negócios de telecomunicações do grupo em Portugal pois estes são detidos pela PT Portugal.

“Continuam as notícias relativamente ao que poderá ou não acontecer relativamente aos activos domésticos mas a nota da Morgan Stanley ainda é o catalisador das quedas”, afirmou Albino Oliveira.

“Mesmo num enquadramento positivo, como o de sexta-feira, a Oi continuou a cair”, concluiu.

A Oi segue hoje a cair 9,5 pct, tendo fechado a perder 1,5 pct na sessão anterior. A telecom brasileira recua cerca de 33 pct desde o início de Outubro.

Os CEOs da Oi e da PT Portugal disseram na semana passada que o ‘default’ de 897 ME de dívida comprada à insolvente Rioforte causou um dano sério à Oi e à PT Portugal, tendo o negócio português que reduzir o endividamento, cortar “firmemente” custos e ter uma gestão assertiva de capital incluindo a venda de activos.

A Oi já disse que foi contactada por vários interessados no negócio de telecomunicações da PT Portugal, incluindo os franceses da Altice, mas não recebeu qualquer proposta e não tomou uma decisão sobre a venda.

O presidente da NOS, rival da PT em Portugal, disse na semana passada que a PT permanece um oponente feroz, sem que o incumbente português tenha sido afectado pela recente turbulência accionista.

A Rioforte é a ‘holding’ do colapsado Império Espírito Santo que, para além de activos financeiros, detinha sobretudo o património não financeiro, que ia desde ‘real estate’, à construção e turismo, tendo alienado recentemente a posição na Espírito Santo Saúde e Espírito Santo Viagens. (Por Daniel Alvarenga; Editado por Sérgio Gonçalves)

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