Tribunal Luxemburgo rejeita recurso Rioforte sobre protecção contra credores

miércoles 3 de diciembre de 2014 08:51 GYT
 

LISBOA, 3 Dez (Reuters) - O Tribunal de Recurso do Luxemburgo confirmou o processo de falência sem protecção contra credores da Rioforte, a 'holding' da família Espírito Santo que incumpriu o pagamento de 900 milhões de euros (ME) comprada pela PT SGPS - o alvo de uma OPA lançada pela empresária Isabel dos Santos.

Em comunicado, aquele tribunal disse que, num acórdão de hoje, após ouvir o requerente e o Ministério Público, declarou "improcedente um recurso interposto pela RioForte Investments", que recorria da decisão do Tribunal Distrital do Luxemburgo que a 17 de Outubro rejeitou a aplicação de gestão controlada.

Assim, a Rioforte, à semelhança do que já acontece com a também endividada 'holding' que a controla Espírito Santo International (ESI), passará por um processo mais célere de liquidação de activos do que a alternativa que visava, de elaborar um programa de alienações e reestruturação de dívida.

A Rioforte, no centro do colapso do império Espírito Santo, incumpriu o pagamento de 900 ME de dívida comprada pela PT SGPS, que apenas tem 25,6 pct da brasileira Oi, aqueles títulos de papel comercial que entraram em 'default' e uma opção de compra sobre acções da Oi.

Entretanto, a 9 de Novembro, Isabel dos Santos, que é filha do presidente da Angola, lançou uma OPA geral sobre a PT SGPS a 1,35 euros por cada acção, que considera ser justo dado que a falência da Rioforte afectou consideravelmente as perspectivas de recuperação daquela dívida.

Recentemente, uma fonte próxima da empresária angolana lembrou que a média da capitalização bolsista da PT SGPS desde 17 de Outubro até 7 de Novembro, imediatamente antes do anúncio preliminar da OPA, foi de 1.030 ME, o que significa que os 1.210 ME da oferta incorporam um prémio de 17 pct.

Os problemas do Grupo Espírito Santo começaram a ganhar visibilidade pública quando, em Junho, foi divulgado que uma auditoria detectou irregularidades graves na ESI, tendo levado ao fim de uma dinastia de banqueiros com mais de 100 anos e à resolução do BES. (Por Sérgio Gonçalves; Editado por Daniel Alvarenga)