4 de diciembre de 2014 / 13:38 / hace 3 años

FOCO-Isabel dos Santos ambiciona liderança mundo Lusofonia com Oi, não sobe preço OPA

(Acrescenta citações, background)

Por Sergio Goncalves

LISBOA, 4 Dez (Reuters) - Isabel dos Santos lançou a OPA sobre a PT SGPS para ser um accionista 'chave' da Oi e retomar a ambição de criar um operador líder mundial na Lusofonia, considerando o preço da oferta justo e não estando disponível para revê-lo, disse Mário Silva, administrador da Terra Peregrin.

Adiantou que "este operador aplicaria as melhores práticas e permitiria sinergias relevantes", frisando: "queremos retomar o projecto industrial deste líder no mundo da lusofonia, envolvendo 260 milhões de pessoas e mais de 110 milhões de clientes".

Isabel dos Santos é a Chief Executive Officer (CEO) e uma das accionistas de referência da angolana Unitel - que lidera as telecoms em Angola e é a maior empresa privada angolana.

"A Terra Peregrin quer ser um accionista minoritário, não de controlo, mas relevante de um grupo no Brasil, com participações noutras áreas (geográficas)", disse Mário Silva aos jornalistas, referindo-se ao triângulo com vértices no Brasil, Portugal e Angola.

A 9 de Novembro, Isabel dos Santos, que é filha do presidente da Angola, lançou uma OPA geral sobre a PT SGPS a 1,35 euros por cada acção, que considera ser justo dado que a falência da Rioforte afectou consideravelmente as perspectivas de recuperação daquela dívida.

No início da semana, Isabel dos Santos entregou o pedido de registo da OPA geral sobre a PT-SGPS, numa operação que visa travar a venda dos activos portugueses de telecoms da PT Portugal, que são detidos pela brasileira Oi.

"Acreditamos muito no projecto que estamos a apresentar aos accionistas", frisando que "os accionistas da PT SGPS e da Oi têm de decidir se pretendem uma oferta firme, que permite um 'cash-in' imediato de 1,35 euros por acção equivalente a 2 reais, ou se preferem esperar por um movimento de consolidação no Brasil".

"Mas, a nossa oferta em nada vai contra movimentos de M&A no Brasil", destacou.

Lembrou, contudo, que não há a certeza de tal ocorrer, do que decorre das recentes declarações do ministro das telecomunicações do Brasil Paulo Bernardo, sobre a possibilidade de uma concentração entre Oi e TIM, que disse que "essa não é a direcção esperada pelo Ministério".

Disse que, para a Terra Peregrin, "era mais barato comprar 20 pct da Oi, mas não há essa participação disponível no mercado" dado o baixo 'free float' da brasileira e comprar directamente aos maiores accionistas fora de mercado um risco: "aí estamos a falar de posições muito relevantes que demoram 'n' tempo a ser construídas, sem nenhum tipo de garantia".

"Estamos a fazer tudo o que depende de nós para a OPA chegar ao mercado e ter sucesso. E, para ter sucesso, estamos a retirar todas as condições que, num primeiro momento, foram não-aceites pela Oi", acrescentou Mário Silva.

A maioria do capital da PT-SGPS está disperso em investidores institucionais internacionais, mas tem como maior accionista individual o Novo Banco com 12,6 pct do capital, sendo seguido pela Oi e pela Ongoing com 10 pct cada.

A Oi tinha duas propostas em cima da mesa para comprar os activos portugueses de telecomunicações - PT Portugal, tendo avançado para negociações exclusivas com a francesa Altice que oferece 7.400 ME, superando a proposta de 7.075 ME feita pelo consórcio dos fundos de investimento Apax e Bain com o conglomerado português Semapa.

Contudo, o administrador da Terra Peregrin frisou que, "se existir a venda da PT Portugal, é provável que a Terra Peregrin deixe cair" a Oferta Pública de Aquisição (OPA).

"Nós sempre dissemos que um dos objectivos desta oferta é manter a unidade do grupo Portugal Telecom", alertou.

"Qualquer decisão tem de ser tomada pelos próprios accionistas (da PT). Aliás, ainda há dois meses e meio os accionistas reunidos em AG ratificaram a ideia de avançar com a fusão, não era da venda da PT Portugal", acrescentou.

O colapso do império da família Espírito Santo, e subsequente 'default' do pagamento de 897 ME de dívida comprada pela PT à holding RioForte, ensombrou a fusão entre a líder de telecoms portuguesa e a brasileira Oi, que visava criar um operador de matriz lusófona e escala global.

CONVERSAS ANIMADORAS

Mário Silva referiu que Isabel dos Santos não podia avançar com esta Oferta "sem falar com alguns dos maiores 'stakeholders' da Oi", adiantando: "temos tido conversas bastante positivas e animadoras com accionistas da PT SGPS".

"Neste momento, as condições que estão em cima da mesa dependem dos accionistas da PT SGPS. Estamos totalmente convencidos que este é, de longe, o melhor projecto que os accionistas têm de valorização das suas acções numa perspectiva de médio e longo prazo", disse o administrador.

Adiantou que "a primeira coisa que acha que tem de acontecer é, mais tarde ou mais cedo, uma Assembleia Geral (AG)", vincando: "o que gostaríamos que os accionistas decidissem? É que optassem pela nossa oferta, que é altamente criadora de valor".

JUSTA E EQUITATIVA

Em 1 de Dezembro, a Terra Peregrin entregou o pedido de registo da OPA à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que pode aceitar a justificação e equidade da contrapartida desta oferta voluntária ou transformá-la numa oferta obrigatória, com uma contrapartida superior.

"Estamos totalmente comprometidos em que a OPA chegue ao mercado e tenha sucesso. O preço é justo", referiu, adiantando: "não admitimos subir preço, já tem prémio 33 pct segundo a média de várias metodologias, nós não estamos disponíveis para mexer no preço".

Mário Silva referiu que os activos da PT SGPS são uma participação de 23 pct na Corpco, um crédito de 897 ME sobre a Rioforte e é uma opção para adquirir mais 16,9 pct do capital da Corpco, que pode ser exercida ao longo dos próximos seis anos.

"Na nossa visão, e muito em linha com aquilo que o próprio CA da PT SGPS já veio reconhecer na AG de 8 de Setembro, quer o crédito sobre a Rioforte, quer a opção de compra têm pouco ou nenhum valor", afirmou o administrador.

"O próprio Conselho de Administração (CA) da PT, num documento que foi distribuído aos accionistas (na AG), reconhece que a probabilidade de não ser recuperado qualquer valor é muito significativa", salientou.

Adiantou que os recentes acontecimentos, que culminaram ontem no Tribunal do Luxemburgo a rejeitar o recurso da Rioforte para aceder à gestão controlada e ter protecção contra credores, "impactaram de forma decisiva" o valor da acção.

"São acontecimentos de tal forma dramáticos e pesados que alteram de forma substancial a circunstâncias, o que impossibilita por completo que o preço da oferta possa ser a média dos últimos seis meses", frisou.

Adiantou que o preço oferecido garante a "justeza e equidade da Oferta" dado que, como esta visa comprar 23 pct da Oi/Corpco, o preço de 1,35 euros por cada acção da PT compara com 1,26 euros de média do preço da acção da Oi nos últimos seis meses convertido em euros, que já "é uma metodologia muito agressiva".

Explicou que a cotação da PT SGPS no dia anterior ao lançamento da Oferta estava em 1,22 euros.

Além disso, a valorização média da PT SGPS entre 17 de Outubro - dia seguinte a um tribunal do Luxemburgo ter indeferido a gestão controlada da Rioforte - e 7 de Novembro a média fica-se pelos 1,146 euros por acção.

Ajustando ao 'fair value' da Oi e o justo valor dos instrumentos da Rioforte, os capitais próprios da PT SGPS é 1,06 euros por acção. (Por Sérgio Gonçalves; Editado por Daniel Alvarenga)

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