5 de diciembre de 2014 / 15:08 / en 3 años

NOVA 2-Accionistas PT SGPS são soberanos, venda PT Portugal à Altice ainda longe

(Acrescenta com Oi aprovar venda PT Portugal, sem votos PT SGPS)

Por Sergio Goncalves

LISBOA, 5 Dez (Reuters) - O ‘board’ da brasileira Oi aprovou a venda dos activos portugueses de telecoms da PT Portugal à francesa Altice, mas esta venda ainda está longe de se concretizar pois terá de ter o ‘OK’ dos accionistas da PT SGPS, que podem preferir a OPA de Isabel dos Santos.

Uma fonte oficial da PT SGPS disse que a Administração desta empresa vai submeter a alienação à aprovação dos seus accionistas em Assembleia Geral (AG) pois não pode tomar decisões estratégicas dado ser alvo de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela empresária angolana.

“Os accionistas da PT SGPS é que são soberanos já que a empresa (PT SGPS) está em gestão corrente”, disse esta fonte oficial da PT SGPS.

O Conselho de Administração (CA) da Oi estava em negociações exclusivas com a Altice, que ofereceu 7.400 milhões de euros (ME) por aqueles activos do incumbente em Portugal, superando uma oferta dos fundos Apax e Bain com a Semapa.

A PT Portugal é detida totalmente pela Oi, mas a PT SGPS é o maior accionista da telecom brasileira com 25,6 pct do capital, enquanto a empresária angolana Isabel dos Santos lançou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a PT SGPS, visando travar aquela venda.

“Os administradores da PT SGPS na OI, estão em função com neutralidade, resultado da OPA lançada à PT SGPS, e não só não votaram como ainda se ausentaram da sala no momento da deliberação”, disse a fonte oficial da PT SGPS acerca da aprovação pelo ‘board’ da Oi.

Adiantou que “não era possivel em função dos acordos accionistas evitar a reunião de quinta-feira”, onde estava a ser deliberada a venda, “uma vez que. por causa da OPA, e do dever de neutralidade, a PT SGPS não poderia opor-se à continuação do processo”.

“O que se conseguiu foi que após um processo transparente - onde participou o BESI/Novobanco - a proposta escolhida teria uma condição suspensiva dependente da aprovação final em AG da PT SGPS”, disse a fonte oficial da PT SGPS.

“Ainda é cedo (para se saber o vencedor), mas penso que não vai ser tão ‘limpo’ como a Altice e a Oi queriam que fosse. Alguns podem preferir encaixar (a contrapartida de Isabel dos Santos) ”, disse Allan Nichols, analista sénior da Morningstar, em Amesterdão.

Acrescentou que, “aconteça o que acontecer, alguém vai processar alguém”, frisando que a luta já é “bastante feia” dado o poder de veto da PT SGPS.

A fonte oficial da PT SGPS referiu que “a Oi tem de apresentar à PT SGPS um justificativo da venda da PT Portugal, neste caso à Altice, que foi escolhida para negociações exclusivas durante 90 dias”, frisando: “esse justificativo tem de apresentar a defesa da valorização das participações dos accionistas da Oi, incluindo a PT SGPS”.

“Estando a PT SGPS a ser alvo de uma OPA, o CA da PT SGPS apenas está em gestão corrente e, nesse sentido, terá de solicitar a convocatória de uma Assembleia Geral (AG) para aprovar, ou não, a venda da PT Portugal”, salientou.

Destacou que, “mesmo que eventualmente a PT SGPS não esteja sob uma OPA, a Administração da PT SGPS pedirá a convocatória de uma AG” por uma questão de transparência.

A maioria do capital da PT-SGPS está disperso em investidores institucionais internacionais, mas tem como maior accionista individual o Novo Banco com 12,6 pct do capital, sendo seguido pela Oi e pela Ongoing com 10 pct cada.

Segundo informação da empresa, actualizada em 18 de Novembro de 2014, o Norges Bank tinha 4,96 pct da PT SGPS, a UBS 4,78 pct, o grupo Visabeira 2,64 pct, o Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social 2,28 pct, a Controlinveste 2,28 pct e a Morgan Stanley 2,16 pct.

A decisão estratégica de vender a PT Portugal requer uma maioria qualificada de dois-terços dos votos presentes, o que deverá tornar mais fácil bloquear esta alienação com apenas um-terço dos votos mais um voto.

A PT SGPS tem dois Administradores na Oi que, através do conselho de alinhamento estratégico, que tem um total de seis membros, têm poder de veto numa eventual decisão de venda da PT Portugal.

Ontem, um administrador da Terra Peregrin, empresa detida por Isabel dos Santos, disse que a empresária angolana lançou a OPA sobre a PT SGPS para ser um accionista ‘chave’ da Oi e retomar a ambição de criar um operador líder mundial na Lusofonia, considerando o preço de 1,35 euros justo e não estando disponível para revê-lo.

Isabel dos Santos é a Chief Executive Officer (CEO) e uma das accionistas de referência da angolana Unitel - que lidera as telecoms em Angola e é a maior empresa privada angolana.

“Os accionistas da PT SGPS e da Oi têm de decidir se pretendem uma oferta firme, que permite um ‘cash-in’ imediato de 1,35 euros por acção equivalente a 2 reais, ou se preferem esperar por um movimento de consolidação no Brasil”, disse ontem o administrador da Terra Peregrin, Mário Silva.

“Mas, a nossa oferta em nada vai contra movimentos de M&A no Brasil”, adiantou na altura.

As acções da PT SGPS estão a cair 1,7 pct para 1,387 euros, tendo sido negociados mais de 5,9 milhões de títulos. (Por Sérgio Gonçalves; Reportagem adicional de Andrei Khalip; Editado por Daniel Alvarenga)

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