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Brazil

Dólar recua acompanhando exterior; agenda de reformas e saúde fiscal do Brasil seguem no radar

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar ampliava a queda contra o real nesta terça-feira, sendo negociado próximo aos 5,37 reais em mais um dia de fraqueza da moeda norte-americana no exterior, enquanto investidores locais digeriam dados sobre o PIB brasileiro do segundo trimestre, ainda de olho na saúde fiscal do país.

14/11/2014 REUTERS/Gary Cameron

Às 10:48, o dólar recuava 1,87%, a 5,3781 reais na venda, depois de ter registrado salto de 1,20% no fechamento da véspera, a 5,4807 reais.

Na mínima do dia, a divisa norte-americana teve queda de 1,99%, a 5,3714 reais na venda.

O dólar futuro negociado na B3 tinha baixa de 2,13%, a 5,3810 reais.

Em meio a dúvidas sobre a situação das contas públicas brasileiras, que têm pressionado o real nas últimas semanas, a garantia do governo de que está comprometido com a agenda de reformas e com o teto de gastos parecia animar investidores nesta terça-feira.

O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, afirmou na segunda-feira que a reforma administrativa será feita e será encaminhada em breve para melhorar a eficiência no serviço público, enquanto uma reunião desta terça-feira entre o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e parlamentares alinhados ao governo contou com comentários à favor da responsabilidade fiscal.

Além disso, Bolsonaro anunciou nesta manhã o novo valor do auxílio emergencial de combate às consequências do coronavírus, que será de 300 reais mensais. Esse é sinal de que Guedes cedeu à proposta do presidente, depois que um impasse dentro do governo sobre a quantia do programa de ajuda levantou boatos já desmentidos sobre uma possível demissão do ministro da Economia.

“Essa tomada de posição do governo de avançar com a reforma administrativa e sua preocupação em acertar ajudam a aliviar os mercados”, disse à Reuters Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora. “Boas notícias trazem boas taxas (de câmbio).”

Analistas também citavam a fraqueza do dólar no exterior como um fator de impulso para o real, depois que dados positivos da China elevaram o otimismo internacional. O índice do dólar contra uma cesta de pares fortes --que registrou seu pior agosto em anos no mês passado-- recuava cerca de 0,3%, enquanto rand sul-africano, peso mexicano e dólar australiano, pares arriscados do real, operavam em alta.

Mas o cenário do Brasil segue incerto, e a volatilidade ainda é um fator de preocupação para investidores, disse Galhardo. “Há incerteza sobre o futuro e o momento econômico. (O patamar alto do dólar) é um sintoma de que o mercado não está confortável com o que está vendo de expectativas para o futuro; quem tem que se proteger recorre ao dólar.”

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta terça-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou contração histórica de 9,7% no segundo trimestre de 2020 em relação aos três meses anteriores, como resultado do ápice da pandemia de coronavírus no país.

A leitura confirma o cenário de fraqueza econômica que tem impulsionado o dólar em 2020, assim como o ambiente de juros baixos e incertezas políticas. No ano, a divisa norte-americana acumula salto de 34% contra o real.

O Banco Central fará neste pregão leilão de swap tradicional para rolagem de até 12 mil contratos com vencimento em março e julho de 2021.

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