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Trump chega a Kenosha para apoiar forças de segurança em meio a protestos contra injustiça racial

KENOSHA, Wisconsin (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contrariou pedidos de autoridades locais e chegou nesta terça-feira a Kenosha, no Wisconsin, para enfatizar sua campanha de “lei e ordem” em uma cidade marcada por protestos contra a injustiça racial após disparos de um policial branco contra um homem negro.

Presidente dos EUA, Donald Trump, visita local de protestos contra a brutalidade policial e a injustiça racial em Kenosha, no Wisconsin 01/09/2020 REUTERS/Leah Millis

Pesquisas de opinião têm mostrado o presidente, do Partido Republicano, diminuindo sua defasagem em relação ao adversário democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden, para as eleições de novembro, em meio aos protestos contínuos contra a injustiça racial e a violência resultante.

A viagem de Trump ao Wisconsin, um campo de batalha político que ele conquistou com uma margem pequena em 2016, lhe dá a chance de enfatizar sua abordagem solidária à polícia em um Estado que ele espera voltar a vencer na eleição de 3 de novembro.

O governador do Estado e o prefeito da cidade exortaram Trump a não ir a Kenosha para não exacerbar as tensões e permitir que os cidadãos se recuperem dos tumultos recentes.

Mas o presidente desconsiderou os apelos, decidindo visitar uma das cidades em que manifestantes antirracismo se chocaram com apoiadores de Trump que convergiram a locais de protesto, às vezes exibindo armas abertamente e prometendo proteger as propriedades de saqueadores.

Depois de pousar em um aeroporto da vizinha Illinois, Trump e sua comitiva passaram por grupos de transeuntes misturados com pessoas que portavam cartazes de apoio a ele e outras com cartazes em que se lia “Vidas Negras Importam” em letras grandes. Em um cruzamento, policiais da tropa de choque se posicionavam em fila interrompendo o tráfego, mas sem distúrbios à vista.

Em Kenosha, um apoiador de Trump de 17 anos foi acusado de matar duas pessoas e ferir outra com um fuzil semiautomático após os protestos contra a injustiça racial. Trump defendeu o adolescente branco, que enfrenta seis acusações criminais, e não criticou a violência de seus simpatizantes.

Mas em Portland, no Oregon, que há três meses testemunha protestos noturnos que se tornaram violentos com frequência, um apoiador de Trump foi morto a tiros no sábado e o presidente lamentou terem “executado um homem na rua”.

“Uma das razões de eu estar fazendo esta viagem hoje e indo ao Wisconsin é termos tido um sucesso tão grande e interditado o que agora mesmo seria uma cidade --que teria sido Kenosha-- uma cidade que teria sido completamente queimada a esta altura”, disse Trump antes de partir de Washington.

Ele se atribui o mérito de restaurar a paz em Kenosha desde que reforços da Guarda Nacional e de forças federais da lei foram mobilizados.

Kellyanne Conway, conselheira de Trump até segunda-feira, disse na semana passada que o presidente deve se beneficiar do tipo de tumulto que irrompeu em Kenosha.

A mensagem de “lei e ordem” de Trump ecoa em sua base de apoiadores brancos, mas ele vem praticamente ignorando as feridas raciais causadas pelo uso de força policial e minimizando as mais de 180 mil mortes de norte-americanos vitimados pela pandemia de coronavírus.

Na Convenção Nacional Republicana da semana passada, Trump retratou Biden como um líder cujas políticas criariam mais caos nas ruas, tentando ligá-lo a vândalos e a ativistas violentos simpatizantes de esquerda.

Biden reagiu pedindo que baderneiros e saqueadores sejam processados, e disse que o próprio Trump está atiçando a violência com sua retórica polarizadora.

Reportagem adicional de Daniel Trotta

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