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EXCLUSIVO- Autoridades do BCE têm receio em seguir Fed com metas de inflação, dizem fontes

FRANKFURT (Reuters) - Autoridades do Banco Central Europeu (BCE) relutam para seguir as medidas do equivalente norte-americano Federal Reserve (Fed) de buscar uma taxa média de inflação, com medo de que isso poderia deixá-los com as mãos atadas, disseram à Reuters fontes envolvidas em uma reformulação das políticas do BCE.

As quatro fontes do Banco Central, incluindo membros das alas hawkish e dovish (correntes de política econômica com visões opostas em relação à inflação) do conselho administrativo de formulação de política do BCE, também expressaram dúvidas se teorias ortodoxas de inflação ainda se aplicavam a economias em que os preços estagnaram há muito tempo, apesar das taxas de juros estarem próximas ou abaixo de zero.

Depois de não cumprir seu objetivo de manter a inflação “abaixo, mas próxima de 2%” por uma década, o BCE está revisando sua estratégia, após uma análise similar do Fed e no momento em que a recessão induzida pela pandemia está levando a inflação da zona do euro para níveis negativos.

Esperava-se que o Banco Central da zona do euro seguisse o Fed, que, em agosto, disse que buscaria uma média de inflação de 2% por um período não especificado, para que períodos em que os preços crescem devagar demais fossem compensados por momentos de crescimento mais rápido - e vice-versa.

Mas os legisladores que conversaram com a Reuters temem que tomar esse caminho representa o risco de encorajar mercados financeiros a tomar conclusões erradas sobre futuras decisões de políticas, com base apenas em onde a média parece estar a qualquer momento.

Em vez disso, eles querem manter a flexibilidade de julgar cada situação em seus próprios méritos, por exemplo, ao minimizar o significado de mudanças temporárias na inflação por causa de flutuações no preço do petróleo.

“Queremos flexibilidade, então uma meta média não nos daria um benefício real”, disse uma das fontes.

Um porta-voz do BCE se recusou a comentar.

Com a inflação na zona do euro em média de 1,3% ao longo da última década, e atualmente negativa, há também receio de que estariam colocando uma meta alta demais ao se comprometerem explicitamente com 2% por tempo suficiente para compensar o período em que ficou abaixo do objetivo.

Além disso, algumas das fontes pontuaram que o Fed teve dificuldades para comunicar sua nova estratégia e membros do seu Comitê Federal de Livre Mercado se dividiram sobre a maneira de aplicá-la, deixando alguns investidores e o público confusos.

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