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Brazil

Bolsonaro causa aglomeração em Goiás e reitera defesa de remédio sem eficácia comprovada contra Covid

Bolsonaro em evento no Planalto 17/6/2020 REUTERS/Adriano Machado

(Reuters) - Sem usar máscara, o presidente Jair Bolsonaro cumprimentou apoiadores e causou uma aglomeração durante cerimônia de inauguração de uma usina de energia fotovoltaica em Caldas Novas (GO), neste sábado, contrariando recomendações de especialistas voltadas a conter a disseminação do novo coronavírus.

O presidente, que afirma ter contraído o vírus e se recuperado em casa, foi cercado por apoiadores e cumprimentou diversas pessoas, inclusive crianças, de acordo com vídeo publicado na página oficial dele no Facebook.

Em discurso no evento, Bolsonaro voltou a defender o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, apesar de não haver até o momento comprovação científica de eficácia para tratar a doença provocada pelo novo coronavírus.

“Quando lá atrás comecei a falar da hidroxicloroquina é porque não tínhamos um remédio no mundo todo que tivesse sua comprovação científica, mas conversando com gente da FDA, a Anvisa americana, embaixadores nossos em outros países, chegamos à conclusão que a hidroxicloroquina poderia sim, pela observação médica, pelo critério off label, que cabe aos médicos decidirem... poderia dizer que apostamos, mas não, nós apontamos a hidroxicloroquina, e tem salvado milhares e milhares de vidas pelo Brasil”, afirmou.

Apesar da afirmação do presidente, não há dados oficiais que apontem que a hidroxicloroquina tenha evitado mortes por Covid-19 no Brasil.

Na sexta-feira, o Brasil atingiu a marca de 119.504 óbitos pelo novo coronavírus, ficando atrás apenas dos Estados Unidos entre os países com mais mortes pela doença no mundo.

Defensor do uso da hidroxicloroquina desde o início da pandemia, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o medicamento poderia ser uma alternativa, Bolsonaro destacou que ele mesmo usou a hidroxicloroquina para sua cura. O presidente ficou três semanas com o vírus e chegou a ter uma infecção pulmonar ao final, tratada com antibiótico.

Em maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) suspendeu os testes com a hidroxicloroquina, medicamento para malária, em pacientes com Covid-19, em razão de questões de segurança, diante de sintomas adversos.

Um estudo realizado em 55 hospitais brasileiros publicado no mês passado apontou que o uso da hidroxicloroquina não apresentou efeito favorável em pacientes hospitalizados com formas leves ou moderadas de Covid-19.

Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro

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