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Brazil

Em efetivação de Pazuello, Bolsonaro ignora 134 mil mortes por Covid-19 e chama ministro de vencedor

BRASÍLIA (Reuters) - Na solenidade de efetivação do general Eduardo Pazuello no comando do Ministério da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro não fez qualquer menção ao número de mais de 130 mil mortes pela Covid-19 no país e chamou o ministro de vencedor, além de voltar a fazer defesa enfática do uso da hidroxicloroquina no tratamento da doença, apesar da falta de eficácia comprovada.

Bolsonaro cumprimenta Pazuello em cerimônia de efetivação do general como ministro da Saúde 16/09/2020 REUTERS/Adriano Machado

Bolsonaro não prestou condolências às vítimas da doença, apesar de o Brasil ser o segundo país do mundo com o maior número de óbitos devido ao novo coronavírus. Exaltou, no entanto, o trabalho do ministro.

“Ousar, ousar e vencer, você é um vencedor”, disse Bolsonaro no evento realizado no Palácio do Planalto, após citar também experiências de Pazuello em outras áreas da administração pública federal.

Quando Pazuello assumiu interinamente o cargo de Ministro da Saúde, em 15 de maio, o Brasil tinha um total de 218.223 casos e 14.817 mortes de Covid-19. Na ocasião, o país era o sexto do mundo em número absoluto de casos, atrás de Estados Unidos, Rússia, Espanha, Reino Unido e Itália.

Atualmente, são 4.419.083 casos de Covid-19 no Brasil --o terceiro maior do mundo, atrás dos EUA e da Índia-- e 134.016 óbitos --superado somente pelos Estados Unidos.

No discurso, o presidente destacou que, mesmo sem ser médico, estava certo na forma de conduzir a pandemia do novo coronavírus.

Sem citar nominalmente o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, Bolsonaro disse que teve problemas com um ex-chefe da pasta em razão da mudança do protocolo para ampliação do uso da hidroxicloroquina no combate à Covid-19 e criticou --assim como Pazuello-- a política de ficar em casa e só recorrer ao atendimento médico em caso de falta de ar.

“Não consegui impor ou propor a sugestão ao então ministro da Saúde de retirar do protocolo que o tratamento com a hidroxicloroquina deveria ser administrado apenas quando o paciente estivesse em estado grave”, disse.

“Nada mais justo, nada mais sagrado, nada mais legal que um médico lá na ponta da linha decidir o que vai aplicar em seu paciente na ausência de um remédio com comprovação científica”, acrescentou, sob palmas.

Pazuello assumiu o cargo interinamente após o então titular, Nelson Teich, pedir demissão com menos de um mês no cargo por também não concordar, assim como Mandetta, com a ampliação do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19.

Os medicamentos têm em Bolsonaro um dos seus principais defensores. Ele próprio, que contraiu Covid-19 em julho, usou a hidroxicloroquina.

Em suas falas na solenidade no Planalto, tanto Bolsonaro quanto Pazuello não fizeram qualquer referência ao atual número de mortos e infectados por Covid-19 no país. O ministro, contudo, se solidarizou com os familiares das vítimas. Pazuello chegou a destacar o número de recuperados por Covid-19.

Bolsonaro disse que a gestão da pandemia poderia ter sido tratada de uma forma diferente, mas destacou que, por decisão judicial, medidas restritivas eram “exclusivamente” de competência dos governadores e prefeitos. Na verdade, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que as atribuições sobre a crise do Covid-19 era compartilhada entre os três entes federados.

“Entendo que alguns governadores foram tomados pelo pânico por essa mídia catastrófica no Brasil”, disse. “Não é uma crítica à imprensa, é uma constatação”, completou.

O presidente exaltou que sabia da “enorme capacidade” do agora ministro efetivo de gestão e elogiou-o por ter ganho a simpatia durante a interinidade não só do governo, mas de governadores e prefeitos.

Na sua fala, Bolsonaro repetiu que, mesmo sendo duramente criticado, deveria se atacar a questão do emprego e do vírus ao mesmo tempo e parabenizou publicamente o ministro da Economia, Paulo Guedes, por ter tomado uma série de medidas para conter o desemprego.

A cerimônia no Planalto contou com aglomerações --o que não é recomendado por especialistas em saúde na pandemia.

VENCENDO A GUERRA

No seu discurso, Pazuello afirmou que o Brasil está vencendo a guerra contra a Covid-19 e as atividades estão voltando ao normal, apesar de o Brasil ainda registrar um elevado número de óbitos por dia devido à pandemia.

Pazuello afirmou que medidas adotadas pelo governo à frente da pasta conseguiram uma “estabilidade bem definida”, com as Regiões Norte e Nordeste com queda confirmada e os Estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste apresentando tendência de redução.

Apesar de os dado apontarem uma redução nas últimas semanas, o número de mortes semanais pela Covid-19 no Brasil ainda está entre os maiores do mundo, com média de 715 óbitos por dia na última semana epidemiológica.

Pazuello agradeceu a “confiança plena” dada pelo presidente que o convidou para assumir interinamente o cargo no momento mais crítico da pandemia e disse que recebia a efetivação com respeito e compreensão da “enorme responsabilidade” que isso representa.

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