November 5, 2019 / 5:41 PM / 9 days ago

Morales desafia pedidos de renúncia e oposição planeja novo protesto

LA PAZ (Reuters) - Um líder de protestos na Bolívia prometeu nesta terça-feira intensificar a pressão pela renúncia do presidente Evo Morales, que resiste às exigências da oposição após resultados controversos das eleições.

Apoiadores do presidente da Bolívia, Evo Morales, participam de manifestação em La Paz 05/11/2019 REUTERS/Kai Pfaffenbach



Luis Fernando Camacho, um líder cívico que se tornou uma figura importante na oposição, disse que liderará uma passeata de protesto na capital na quarta-feira e pressionará pela renúncia de Morales.

Camacho voou da cidade de Santa Cruz para La Paz na terça-feira, mas disse que as autoridades o impediram de deixar o aeroporto por várias horas, enquanto apoiadores do governo se reuniam do lado de fora. Um avião da Força Aérea mais tarde o levou de volta a Santa Cruz.

Camacho prometeu viajar para La Paz novamente na quarta-feira e levar uma carta de renúncia pré-escrita para Morales assinar na tentativa de aumentar a pressão contra o presidente.

“Dez mil homens foram enviados de um partido político para que um único homem não pudesse entrar em La Paz. Esse é um sinal claro de medo”, disse Camacho a repórteres.

“Portanto, amanhã (quarta-feira) às 14h30, eu volto para a cidade de La Paz e assim será todos os dias até que eu entre no Palácio do Governo”, acrescentou.

Outras figuras da oposição continuaram seus apelos para que Morales renuncie após sua vitória eleitoral controversa no mês passado, que levou o país a uma crise democrática.

“Estamos convencidos de que devemos promover uma ação clara, ativista, mobilizada, pacífica e democrática, com o objetivo absolutamente claro de Evo Morales deixar o governo, porque ele cometeu a fraude monumental de não respeitar a vontade popular”, afirmou o candidato da oposição Carlos Mesa em uma entrevista coletiva.

Jorge Quiroga, ex-presidente da Bolívia, chamou Morales de “tirano” e comparou suas ações às do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusado de corrupção e violações dos direitos humanos.

Luis Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que está auditando a votação de 20 de outubro, pediu às autoridades da Bolívia que garantam sua liberdade de movimento.

A agência estatal aeroportuária e o governo disseram que protocolos de segurança foram adotados para garantir a proteção de Camacho, inclusive mantê-lo em uma área protegida.

Morales, líder de esquerda há tempos no poder, está enfrentando uma pressão crescente de grupos da oposição que insistem para que ele renuncie ou permita uma nova eleição.

Ele venceu o pleito com uma vantagem de pouco mais de 10 pontos, o que lhe concedeu uma vitória no primeiro turno, mas o triunfo foi ofuscado por uma suspensão de quase 24 horas na contagem, que, quando retomada, mostrou uma mudança súbita e inexplicável a seu favor.

A OEA já havia recomendado um segundo turno.

O primeiro presidente indígena da Bolívia, que tomou posse em 2006, defende sua eleição e apoiou a auditoria da OEA para resolver a crise, que desencadeou interdições nas cidades e confrontos nas ruas que causaram algumas mortes.

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