February 7, 2020 / 11:25 PM / 15 days ago

Linha de cruzeiros proíbe cidadãos da China; morte de médico que alertou sobre vírus causa comoção

PEQUIM/XANGAI (Reuters) - A morte por coronavírus de um médico chinês que foi repreendido por emitir um alerta sobre a doença provocou críticas ao governo, nesta sexta-feira, enquanto uma importante linha de cruzeiros tomou a decisão de proibir cidadãos da China, independentemente de quando eles estiveram lá pela última vez.

Pacientes infectatos pelo coronavirus são atendidos em ala isolada de hospital em Wuhan China Daily via REUTERS

A morte de Li Wenliang, de 34 anos, ocorreu num momento em que o presidente Xi Jinping garantiu aos Estados Unidos e à Organização Mundial da Saúde (OMS) transparência e máximo esforço para combater o vírus.

A liderança comunista de Pequim isolou cidades, cancelou voos e fechou fábricas para limitar uma epidemia que assola a segunda maior economia do mundo, com efeitos sentidos pelos mercados e negócios globais dependentes das linhas de suprimento chinesas.

A província de Hubei e sua capital Wuhan, epicentro do vírus, estão isoladas, e Pequim se assemelha a uma cidade fantasma.

Na província de Hubei, no centro da China, epicentro da epidemia, a comissão de saúde informou que houve 2.841 novos casos do vírus e outras 81 mortes na sexta-feira, elevando o total de fatalidades relacionadas a vírus em Hubei para 699. O total de casos na província chegou a 24.953.

Em Genebra, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou sobre a escassez mundial de máscaras e outros equipamentos de proteção.

Os mercados globais de ações e de títulos de governos caíram na sexta-feira, com as crescentes preocupações sobre o impacto do vírus no crescimento global ofuscando um forte relatório de empregos nos Estados Unidos.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse nesta sexta que o Departamento de Estado “facilitou o transporte de quase 17,8 toneladas de suprimentos médicos doados ao povo chinês, incluindo máscaras, roupas hospitalares, gaze, respiradores e outros materiais vitais”.

MORTE DE OFTALMOLOGISTA

O oftalmologista Li estava entre as oito pessoas repreendidas pela polícia na cidade de Wuhan, onde o vírus surgiu, por espalhar informações “ilegais e falsas”.

Li foi obrigado a assinar uma carta em 3 de janeiro, dizendo que “havia perturbado gravemente a ordem social” e foi ameaçado com acusações.

Usuários de mídia social o chamaram de herói e compartilharam uma selfie dele deitado em uma cama de hospital usando um respirador e segurando seu cartão de identificação chinês. Uma imagem mostrava a mensagem “adeus Li Wenliang” gravada na neve na margem de um rio.

“Wuhan realmente deve desculpas a Li Wenliang”, disse Hu Xilinx, editor do tabloide Global Times, apoiado pelo governo.

A Anistia Internacional considerou sua morte um “lembrete trágico” de como a preocupação da China com a estabilidade suprime informações vitais.

A China foi acusada de tentar encobrir o surto de Sars de 2003 que matou quase 800 pessoas em todo o mundo.

Havia sinais de que a discussão sobre a morte de Li estava sendo censurada.

Depois de estar brevemente entre os principais tópicos no Weibo, “o governo de Wuhan deve um pedido de desculpas ao médico Li Wenliang” e “queremos liberdade de expressão” não produziam mais resultados de pesquisa.

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