April 9, 2019 / 2:19 PM / 11 days ago

Cresce número de mortos de conflito na Líbia; jihadistas exploram o caos

TRÍPOLI/GENEBRA (Reuters) - As mortes decorrentes da batalha por Trípoli aumentaram nesta terça-feira, depois que um grupo leal ao Estado Islâmico matou três pessoas no centro remoto da Líbia, em uma demonstração de como os militantes podem explora a volta do caos ao país.

Membros das forças militares de Misrata se preparam para linha de frente em ataque em Trípoli 09/04/2019 REUTERS/Hani Amara

A agência de saúde da Organização das Nações Unidas (ONU) disse que instalações locais relataram 47 mortos e 181 feridos nos últimos dias, agora que forças do leste tentam tomar a capital litorânea de um governo reconhecido internacionalmente.

    Trata-se de um número maior do que os informados por qualquer um dos lados, e que parece envolver sobretudo combatentes, mas também incluiu alguns civis, entre eles dois médicos, disse o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tarik Jasarevic, em uma coletiva de imprensa em Genebra.

    As forças do Exército Nacional Líbio (LNA), de Khalifa Haftar, um ex-general do Exército do líder deposto Muammar Gaddafi, ocuparam o sul essencialmente deserto no início deste ano e rumaram neste mês para Trípoli, onde estão instalados do lado sul.

    O governo do primeiro-ministro Fayez al-Serraj, de 59 anos, está tentando impedi-los com ajuda de grupos armados que partiram de Misrata em picapes armadas com metralhadoras.

    ONU, União Europeia, Estados Unidos e G7 apelaram por um cessar-fogo e pela retomada de um plano de paz da ONU, mas até agora Haftar não os ouviu.

    No extremo sul de Trípoli, um grupo leal ao jihadista Estado Islâmico atacou a cidade de Fuqaha, matando três pessoas e sequestrando outra antes de partir, disseram moradores.

    Fuqaha é controlada por combatentes leais a Haftar, que se retrata como inimigo do extremismo islâmico, mas é visto pelos oponentes como um novo ditador nos moldes de Gaddafi.

    O Estado Islâmico está ativo na Líbia desde a deposição de Gaddafi pro tropas ocidentais oito anos atrás. O grupo tomou a cidade costeira de Sirte em 2015, mas a perdeu no final de 2016 para forças locais auxiliadas por ataques aéreos dos EUA, e hoje opera nas sombras.

    O possível mergulho da Líbia em uma guerra civil ameaça interromper as remessas de petróleo, intensificar a migração pelo Mediterrâneo rumo à Europa e frustrar os planos da ONU para uma eleição que visa acabar com as rivalidades entre governos paralelos no leste e no oeste.

    A Líbia se tornou a principal rota de imigrantes e refugiados africanos que tentam chegar à Europa, muitos dos quais sofrem torturas, estupros e extorsão durante a jornada.

    (Reportagem adicional de Ayman al-Warfalli em Benghazi e Tom Miles em Genebra)

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