April 5, 2019 / 4:25 PM / 19 days ago

Capitalização pode ficar para um segundo momento, admite Bolsonaro em café com jornalistas

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro admitiu nesta sexta-feira, em um café da manhã com alguns jornalistas convidados, que o sistema de capitalização incluído no texto da reforma da Previdência poderá ficar para um segundo momento, se houver uma reação forte no Congresso.

25/03/2019 REUTERS/Ueslei Marcelino/File Photo

“Se tiver reação grande, tira da proposta. Alguma coisa vai tirar, tenho consciência disso”, disse Bolsonaro, de acordo com material publicado pelos jornais Folha de S.Paulo, O Globo, Estado de S. Paulo e Valor Econômico, que tinham jornalistas presentes ao encontro.

Bolsonaro disse ainda saber que a proposta será desidratada no Congresso e que o mais importante é idade mínima e tempo de contribuição, e que o restante pode ficar para depois.

O regime de capitalização é considerado central pela equipe econômica para a nova Previdência, mas dependerá de regulamentação pelo Congresso após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para alterar as regras das aposentadorias que está em tramitação.

No entanto, existe resistência nos partidos em relação à forma que foi criada. O PSD, por exemplo, cobrou ontem que a capitalização seja um piso e que seja incluída uma contribuição patronal.

ARTICULAÇÃO

O presidente reconheceu, durante o café, problemas na articulação política do governo e atribuiu isso à falta de vivência política de seus ministros.

Na quinta, ao receber presidentes de partidos, Bolsonaro ouviu reclamações sobre o fato de os ministros não receberem parlamentares e não atenderem demandas e disse aos líderes partidários que isso seria mudado.

Aos jornalistas, Bolsonaro disse que muitas vezes as demandas são coisas simples, mas que seria natural os ministros não darem o retorno que ele pessoalmente daria porque não tem vivência política.

HORÁRIO DE VERÃO

Durante café, o presidente informou que o horário de verão, marcado ainda para o primeiro final de semana de novembro, deve ser terminado. Bolsonaro disse aos jornalistas que está “quase certo” que a mudança de horário será encerrada este ano.

Criado por decreto, pode ser terminado por uma determinação do presidente. O governo faz um estudo para comprovar as informações que a alteração não trouxe economia significativa de energia nos últimos anos.

Por Lisandra Paraguassu

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