August 22, 2019 / 3:03 PM / 3 months ago

Bolsonaro nega ter acusado ONGs por queimadas, mas insiste que são suspeitas

(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro demonstrou irritação nesta quinta-feira com a cobertura feita pela imprensa sobre as declarações que fez na véspera sobre possível envolvimento de organizações não-governamentais nas queimadas na Amazônia e negou ter acusado as ONGs, mas insistiu que “a maior suspeita” vem delas.

01/08/2019 REUTERS/Adriano Machado

Logo ao chegar para falar com jornalistas na saída do Palácio da Alvorada, algo que tem feito praticamente todos os dias, o presidente disse que falaria primeiro, antes dos repórteres começarem a fazer perguntas, e reclamou da forma que sua declaração da véspera, também na saída do Alvorada, foi noticiada.

“Vocês que me entrevistaram ontem, vocês viram o que está nos jornais hoje? Não é culpa de vocês, passa pelo crivo do editor. Em nenhum momento eu acusei as ONGs. Suspeita”, disse.

“É inacreditável o que a imprensa brasileira faz no Brasil... O Brasil vai chegar à situação que está a Venezuela, é isso que a grande imprensa brasileira, grande parte da imprensa, quer, e fica o tempo todo de picuinha”, disparou.

Apesar de ter afirmado que não acusou diretamente as ONGs pelas queimadas florestais, o presidente voltou a dizer que essas entidades perderam recursos com as decisões dos governos da Alemanha e da Noruega de não mais repassarem verbas ao Brasil para preservação da floresta e disse que as ONGs buscam derrubá-lo.

“As ONGs perderam dinheiro, com o dinheiro da Noruega e Alemanha que vinha para cá. Estão desempregados. Têm que fazer o quê? Tentar me derrubar, tentar me derrubar. É o que sobra para eles, mais nada além disso”, disse.

“Pode ser fazendeiro (o responsável pelas queimadas)? Pode. Todo mundo é suspeito, mas a maior suspeita vem de ONGs”, repetiu.

Bolsonaro afirmou, ainda que “não se tem recurso” suficiente para fiscalizar a Amazônia e atribuiu este fato ao que chamou de “caos” que herdou ao assumir a Presidência neste ano.

“A Amazônia é maior do que a Europa, como é que você vai combater incêndio criminoso nessa área?”, indagou aos jornalistas.

“IMPRENSA ESTÁ ACABANDO”

Logo depois de apontar que a intenção das ONGs ambientais é tirá-lo do poder por causa da perda de recursos, Bolsonaro comparou a situação com a dos veículos de imprensa, e lembrou que editou uma medida provisória que retira a obrigatoriedade de empresas de capital aberto publicarem seus balanços financeiros em jornais de grande circulação, medida que tira receita de veículos impressos.

“Como a imprensa. Tirei de vocês 1,2 bilhão de reais na publicação de balancetes. Não é maldade, é bondade e justiça para o empresário, que não aguenta pagar isso para publicar páginas e páginas de jornais que ninguém lê. Então publica no site oficial, na CVM, a custo zero. E ainda estamos ajudando a não ter desmatamento, porque papel vem de árvore”, disse o presidente.

Apesar da declaração do presidente, as empresas de papel e celulose produzem em plantios feitos em áreas de reflorestamento e não desmatam a floresta para produzir papel-jornal. A exploração de madeira e a expansão de áreas agrícolas estão entre os principais motores do desmatamento da Amazônia.

“Estamos em uma nova época. Assim como acabou no passado o datilógrafo, a imprensa está acabando também. Não é só pela questões de poder aquisitivo do povo, que não está bom, é porque não se acha a verdade ali”, atacou.

Por Eduardo Simões, em São Paulo

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