February 4, 2019 / 12:18 PM / 6 months ago

Grupo de Lima planeja campanha de pressão contra governo Maduro

OTTAWA (Reuters) - Um bloco formado por nações latino-americanas e o Canadá debaterá nesta segunda-feira como manter a pressão para que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, convoque novas eleições, agora que enfrenta clamores generalizados para renunciar após uma contestada votação presidencial no ano passado.

Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, durante coletiva de imprensa em Caracas 30/04/2018 REUTERS/Marco Bello

Mas fontes a par do assunto disseram que os 14 países do Grupo de Lima parecem inclinados a adiar novas sanções contra o governo Maduro quando se reunirem em Ottawa.

A maioria dos membros do grupo diz que Maduro deveria dar lugar ao líder opositor Juan Guaidó, que se declarou presidente interino no mês passado e está pedindo uma nova eleição presidencial.

Os Estados Unidos, que não integram o grupo, também querem a saída de Maduro.

“Como podemos continuar a ajudar a oposição a manter a pressão sobre o regime e forçar novas eleições? Certamente é algo que estudaremos”, disse uma autoridade do governo canadense.

Maduro, cuja gestão mergulhou o país em um colapso econômico e provocou o êxodo de 3 milhões de venezuelanos, disse em uma entrevista transmitida na rede de televisão espanhola Antena 3 no domingo: “Não aceitamos ultimatos de ninguém”, acrescentando: “Recuso-me a convocar eleições agora – haverá eleições em 2024”.

O líder, que vem preservando o apoio crucial dos militares, afirmou ser alvo de um golpe de Guaidó dirigido pelos EUA.

A reunião desta segunda-feira em Ottawa também terá na pauta como ajudar o povo da Venezuela, inclusive por meio de uma assistência humanitária imediata, disse o gabinete do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.

No mês passado, o Grupo de Lima anunciou uma proibição de viagens a autoridades venezuelanas de alto escalão e o congelamento de seus ativos no exterior.

A fonte canadense, que pediu anonimato devido à sensibilidade da situação, não quis comentar quando indagada se mais medidas punitivas poderiam ser impostas.

Duas fontes a par das conversas disseram que tal anúncio é improvável no momento.

Na semana passada, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu sanções contra a estatal petroleira venezuelana PDVSA, medida que deve reduzir as rendas de um país já assolado pela falta de remédios e a desnutrição.

Em uma entrevista exibida no domingo, Trump disse que uma intervenção militar na Venezuela é “uma opção”.

Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu, em Brasília; Hugh Bronstein, em Buenos Aires; e Helen Murphy, em Bogotá

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